Roupas, móveis e remédios: quase metade do FGTS inativo foi destinado ao consumo

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Estudo verificou que, juntos, quatro segmentos do consumo captaram quase 50% do FGTS inativo liberado em março.

Até o momento o saque de valores presentes em contas inativas do FGTS já foi permitido para trabalhadores que nasceram entre janeiro e agosto. 

A liberação de saques está sendo feita de acordo com um calendário do governo que leva em conta o mês de nascimento, e que segue até o final de julho deste ano.

A medida já beneficiou milhões de brasileiros, que passam a contar com uma verba extra para gastar (ou economizar) da forma que acharem melhor.

Mas o que exatamente está sendo feito pelos brasileiros, até o momento, com o montante que já foi sacado?

Foi pensando em responder essa questão que a Confederação Nacional do Comércio (CNC) elaborou um estudo para analisar o destino dos R$ 5,5 bilhões liberados em março, quando o primeiro grupo – daqueles nascidos entre janeiro e fevereiro – foi beneficiado.

A constatação é de que quase metade do FGTS inativo foi para quatro segmentos do consumo: vestuário e calçados, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos, farmácia e perfumaria.

Juntos, esses segmentos captaram R$ 2,65 bilhões (48%) do total. 

O segmento de vestuário e calçados foi o que mais se beneficiou com a renda extra possibilitada pelo FGTS inativo: recebeu R$ 1,19 bilhão. O segmento de materiais de construção foi o segundo nesse aspecto, recebendo R$ 594,4 milhões.

Em seguida vieram os segmentos de móveis e eletrodomésticos (captação de R$ 530,2 milhões) e farmácias e perfumaria (R$ 337 milhões).

Não é tanto assim

Apesar de parecer uma parcela considerável, o economista sênior da CNC e responsável pelo estudo, Fábio Bentes, afirma que, por conta da característica consumista do brasileiro, esperava-se que um montante ainda maior tivesse sido direcionado para o consumo.

Essa fatia de recursos destinada às compras pode parecer muita coisa, mas não é”, afirma. “A maior parte dos recursos pode ter sido direcionada para a quitação de dívidas, poupança ou gasto com serviços“, prossegue.

Apenas 4 de 10

O CNC também analisou os 10 segmentos acompanhados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, e levou em consideração algumas variáveis para avaliar o desempenho de vendas do mês de março. Entre elas estão o comportamento normal das vendas no mês, dos preços, da procura por crédito e da massa de rendimentos.

A constatação foi de que, dos 10 segmentos, apenas quatro foram beneficiados em vendas por essa injeção extra de dinheiro dado pelos recursos do FGTS.

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Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

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