Pequenas empresas estão entre as vítimas favoritas de hackers

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Entre 2015 e 2016, foram registrados em médias 6 golpes por segundo no Brasil.

Em todo o mundo, o Brasil é um dos países que mais sofre com ataque de hackers e, por aqui, as pequenas empresas são as vítimas favoritas. São essas as conclusões obtidas por dois estudos referentes a crimes cibernéticos.

A primeira constatação foi feita pela produtora de softwares de segurança Kaspersky Lab. De acordo com seus dados, o Brasil é o 9º país que mais sofre ataques de hackers em todo o globo. Ao todo, foram 199 milhões de e-mails maliciosos entre agosto de 2015 e agosto de 2016. Isso significa que, em média, foram tentados pouco mais de seis golpes por segundo durante o período.

Já um estudo de 2015 da Fiesp deu conta de que as pequenas empresas do país foram alvo de 65,2% dos ataques cibernéticos com foco financeiro.

Apesar de ser cada vez mais comum, o delegado José Mariano de Araújo, responsável pelo departamento de crimes tecnológicos da Polícia Civil de São Paulo, conta que a maior parte das pessoas que sofrem com esse tipo de crime demonstra estar surpresa.

Quase todo mundo que vem à delegacia prestar queixa diz ‘nunca pensei que isso podia acontecer comigo“.

Araújo explica que companhias de menor porte estão entre os preferidos pois podem servir de ponte para chegar em empresas mais ricas.

Isso acontece porque não necessariamente o alvo primário é a empresa. Os clientes dela, estes sim, podem representar um alto valor financeiro. Hoje, quem invade um computador quer basicamente roubar informações. É por meio delas que os criminosos têm acesso à contas-corrente, dados de cartões de crédito, etc“, afirma. “A primeira coisa que um criminoso tem em mente é: preciso obter as informações desta vítima”, completa.

Hackers atacam pequenas e médias empresas

Tipos de ataques

Segundo conta o presidente da Aker Security (empresa especializada em segurança digital), Rodrigo Fragola, os ataques virtuais inicialmente se caracterizavam por ações rápidas e que visavam transferir dinheiro da empresa para contas laranjas. Então, os valores eram sacados antes que fossem bloqueados.

Depois, essa ação criminosa passou a ficar mais elaborada. “Hoje, os ataques se sofisticaram e os hackers estão mais pacientes. Em média, no mundo todo, eles ficam escondidos na máquina da vítima por 240 dias, apenas coletando informações. O interesse é retirar o máximo de dados da empresa para verificar com o que se pode lucrar”, relata Fragola.

Com posse de arquivos sigilosos, o hacker então procura interessados no mercado negro da internet que possam comprar as informações com bitcoins – impossíveis de rastrear.

Mais recentemente uma nova modalidade de ataque hacker tem ganhado a preferência dos criminosos. Trata-se do Ransomware.

Apesar de ainda representar uma parcela pequena dos casos atendidos, notamos uma grande aumento no número de ataques do tipo ransomware“, garante Juliana Abrusio, advogada e sócia da Opice Blum, escritório que há vinte anos atua com direito digital.

Nesse tipo de ciberataque o criminoso, ao invés de causar fraudes ou roubar dados para vender no mercado negro, aplica uma criptografia sobre as informações, impedindo que o seu dono consiga acessá-las

Para retirar essa criptografia, a vítima deve pagar um resgate, geralmente em bitcoins.

Esse ataque geralmente acontece com médias e pequenas empresas. E, em muitos casos, o empresário não tem o back up dos dados e acaba pagando o valor exigido“, diz Juliana.

Ainda de acordo com a especialista, o valor cobrado pelos hackers equivale, em média, a cerca de R$ 10 mil. O que tem um propósito:

Os criminosos estipulam um valor para desestimular a busca por ajuda. A pessoa prefere pagar para resolver o problema, e o hacker ganha no volume de vítimas“, revela.

Mesmo assim, há situações em que o valor é muito maior. “Peguei há pouco tempo um caso em que pediram R$ 400 mil pelo resgate“.

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Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

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