Cinco em cada dez brasileiros não têm o hábito de poupar, diz pesquisa

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Especialistas apontam crise e falta de controle adequado como principais culpados pelo cenário.

Segundo o Indicador de Reserva Financeira do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), cerca de sete de cada dez brasileiros (71%) não conseguiram guardar dinheiro algum em dezembro de 2017.

Desse grupo, conforme aponta o levantamento, 40% alegaram não conseguir poupar por conta da renda muito baixa. Já um grupo de 17% afirmou não ter nenhuma fonte de renda, enquanto que outros 16% disseram que foram surpreendidos por algum imprevisto. Outra parcela de 13% também apontou a falta de controle de gastos e de disciplina como justificativa.

Falta de hábito

A pesquisa também verificou que pouco mais da metade dos entrevistados (51%) não tem o hábito de poupar. Por outro lado, apenas 34% afirmaram ter esse costume. Um grupo menor, de 7%, disse que não poupam, mas que já possuem uma quantia guardada.

Entre os que possuem essa prática, 12% determinam o valor que será guardado, enquanto que 22% guarda o que sobrou de seu orçamento.

Efeito da crise

O principal responsável por esse cenário é o atribulado momento econômico brasileiro, conforme aponta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. A crise fez com que a renda das famílias ficasse limitada, dificultando o hábito de poupar.

Porém, ainda segundo a especialista, nem tudo pode ser justificado pela crise. “O alto desemprego e a queda da renda de fato pesam, mas também há negligência com as próprias finanças. Um controle adequado do orçamento pode fazer a diferença entre ter e não ter dinheiro sobrando no fim do mês”, diz.

O hábito de poupar afasta o mau hábito de gastar mais do que se ganha, e assim, aos poucos, o consumidor cria uma reserva de emergência”, prossegue.

Tipos de economia

Por fim, o levantamento constatou quais são as formas de economizar mais utilizadas pelo brasileiro. E o resultado deixou claro que a maior parte da população não está fazendo uso de opções mais rentáveis de investimentos.

Isso porque, entre os entrevistados que costumam economizar, apenas 9%, 8% e 7% optam por fundos de investimento, previdência privada e Tesouro Direto, respectivamente. Ainda há dois grupos, de 5% cada, que economizam através de certificados de depósito bancário CDBs (5%) e ações (5%).

Por outro lado, a maior parte das pessoas ouvidas (57%) deixam suas reservas na poupança.

“A poupança serve a alguns propósitos por ser uma opção com alta liquidez”, explica Marcela. “Mas, principalmente para aqueles que têm objetivos de longo prazo, hoje há muitas informações disponíveis sobre modalidades de investimento com rendimento maior, sem grandes riscos.”

Ainda há uma parcela de 27% que guara o dinheiro em casa, e 17% que deixam na conta corrente.

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Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

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