Especialista confere dicas para renegociar dívidas do cartão de crédito

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Conhecer a fundo sua dívida e buscar uma conversa pessoalmente são algumas das dicas.

Apesar de ser de grande utilidade, em especial para pequenos empreendedores, a obtenção de crédito deve ser feita com cuidado.

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E a cautela não é à toa. Com uma das taxas de juros mais elevadas do mundo, o crédito é um dos principais geradores de dívidas no Brasil.

Para se ter noção, segundo o Banco Central, a taxa de juros do cartão ficou em 332,4% ao ano no mês de setembroPor conta disso, é muito comum que as pessoas contraiam dívidas antes mesmo de perceber esse risco. 

Renegociação

Entretanto, de acordo com o educador financeiro do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), José Vignoli, quem se encontra nessa delicada situação deve ter em mente que é sempre possível renegociar o débito com o banco.

Apesar de a pessoa estar fragilizada nesse momento por conta da dívida, ela precisa ter em mente que o banco também fará de tudo para se livrar daquele mico. Então, há chances grandes de conseguir boas condições“, garante. 

Confira abaixo algumas dicas conferidas pelo especialista para quem se encontra nessa situação:

Origem da dívida

Em primeiro lugar, segundo Vignoli, é preciso entender o que gerou a dívida. “É muito comum as pessoas colocarem a culpa no cartão de crédito, esquecendo que quem apertou a senha várias vezes foram elas mesmas“.

Por isso, é preciso verificar o quanto foi gasto com compras, o que deve ser pago em juros, e quais tarifas extras incidiram na dívida.

Essas informações serão úteis no momento de negociar a dívida com o banco.

E para o caso de o banco dificultar o acesso a esse tipo de informação, a Serasa indica que o devedor procure diretamente pelo Banco Central.

Estudo

Em posse de todas as informações necessárias, é necessário agora examinar quais são as possíveis opções à sua frente: qual o período de tempo cobrado para a renovação da dívida, qual o modo de parcelamento (é fixo ou variável?), quais juros incidirão no cálculo e se tomar um empréstimo para quitar a dívida seria uma boa ideia.

Para essa etapa, o educador financeiro diz que o ideal é fazer uma pesquisa de mercado antes de entrar em contato com o banco ou empresa para levantar as taxas de juros de empréstimos.

Você pode citar que um determinado banco oferece um empréstimo sob condições melhores para você quitar a dívida. O banco pode ficar com medo de você migrar para o concorrente no futuro e oferecer uma opção com descontos melhores“, destaca Vignoli.

Aqui também é válido consultar a calculadora do cidadão do Banco Central. Ela simula financiamentos com prestações fixas e correção de valores.

Olho no olho

Com o objetivo de reaver seu dinheiro o mais rápido possível, é comum que instituições financeiras façam pressão sobre as pessoas endividadas, por telefone, por exemplo.

Porém, José Vignoli alerta que nada deve ser feito com pressa e que o ideal é ir direto na agência para conversar pessoalmente com o funcionário da área. Isso fará com que as chances de obter uma oferta melhor aumentem.

Vá pessoalmente para barganhar, conversar sobre alternativas, saber todos os custos, para tudo ficar muito claro“, diz Vignoli.

Práticas abusivas

No momento de negociar a dívida, ainda é preciso ter cuidado com algumas práticas abusivas que instituições financeiras podem fazer.

A primeira delas é exigir a compra de um seguro para obter ou renegociar um crédito. Fazer esse tipo de exigência é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Outra é não aceitar um débito em conta corrente que ultrapasse 30% do valor que você recebe por mês. No caso do empréstimo consignado, 35%. Ou seja: se você ganha R$ 1 mil líquidos, o valor total do débito não pode ultrapassar R$ 300 ou R$ 350 (consignado).

Recusar dívida maior do que pode pagar

Se nenhuma das opções oferecidas pelo banco se ajusta às condições que a pessoa endividada pode pagar, a dica é procurar a ajuda de um órgão independente, como o Procon.

Mas, de maneira alguma, deve-se assumir um compromisso que não pode cumprir e, consequentemente, ficar sujeito a um pagamento que não cabe em seu orçamento. Na prática isso significa assumir uma nova dívida sem pagar a outra.

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Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

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