FMI: renda per capita brasileira aumentaria em mais de R$ 9 mil sem corrupção

0

Pesquisador que participou da elaboração do estudo do Fundo destacou quais melhorias podem ser feitas no Brasil.

Se o Brasil conseguisse melhorar substancialmente seu nível de corrupção, isso significaria um aumento de renda per capita na casa de US$ 3 mil por habitante no longo prazo. São uns 30% de aumento em relação ao patamar atual”.

fmi, corrupção, renda per capta, Brasil, economia, governo, crescimento, renda do brasileiro

A constatação acima foi conferida por Carlos Eduardo Gonçalves, professor licenciado da USP, economista e pesquisador do FMI (Fundo Monetário Internacional), ao comentar a divulgação de um documento do Fundo que teve justamente a corrupção como tema.

O valor representa mais de R$ 9 mil por habitante, segundo a cotação atual do dólar. 

Gonçalves foi um dos responsáveis pela elaboração do estudo que citou, por exemplo, a Operação Lava Jato como modelo de combate à corrupção. Ele explicou que, apesar de a corrupção não ser algo observável, o Brasil é “mais ou menos tão corrupto quanto se esperaria”, enquanto que, na América Latina, Chile e Uruguai “têm um desempenho sublime” nesse quesito.

 

Pedra no caminho

O especialista ainda garante que, a partir das analises feitas para o documento, é possível dizer que a corrupção colabora para a redução do crescimento econômico da América Latina.

Quando você pensa em um crescimento no longo prazo, nos últimos 20 anos, a corrupção na América Latina foi um entrave para o crescimento”, afirma.

Isso é muito importante debater porque a tese inicial de corrupção e crescimento, dos anos 70, dizia o seguinte: se você é um empresário, vai desembaraçar uma máquina importada e, se paga propina, rapidamente desembaraça a máquina e começa a produzir. Então você poderia dizer que a corrupção funcionaria como um óleo na engrenagem. Essa tese está errada porque a corrupção não chegou para reduzir uma burocracia excessiva. O ambiente de negócios complicado é criado em função de que se conhece a probabilidade de cobrar propina”, explica.

A burocracia excessiva pode ser uma dificuldade criada que decorre do fato de se saber que uma estrutura complicada gera uma renda a mais (propina). Tanto que lugares em que se tem mais burocracia são também mais corruptos. E a América Latina, particularmente o Brasil, tem um ambiente de negócios péssimo”, completa Gonçalves.


Melhorias necessárias

Quando questionado sobre quais melhorias institucionais o Brasil deveria promover para reduzir o nível de corrupção, o pesquisador do FMI destacou quatro. São eles: transparência, clareza no orçamento, diminuir o poder discricionário e tornar as interações cada vez menos pessoais.

Outro ponto relevante”, aponta ele, “é a renegociação de contrato logo após um leilão. Isso acontece muito na América Latina. Uma empresa chega no leilão com um preço baixo e depois faz um parecer técnico dizendo que precisa cobrar mais. Preço acordado em leilão não pode ser renegociado no curto prazo. A empresa tem de ter feito uma análise de custo-benefício do projeto”, diz Gonçalves.

No médio prazo, até pode, porque há percalços no caminho: descobre-se que o negócio é mais custoso ou está demorando porque o governo não libera uma licença. Nesse caso, pode-se fazer uma renegociação, mas via um painel independente. Deve-se chamar um grupo de especialistas independentes para analisar a demanda do proponente sobre o aumento, por exemplo, de tarifas naquela concessão”, conclui.

Compartilhar

Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

Os comentários estão fechado.