No Brasil, 5 bilionários possuem a mesma riqueza que 100 milhões de pessoas

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Relatório aponta que, mesmo com a crise, renda do grupo mais rico do país aumentou em 2017.

Hoje em dia Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra, Marcel Herrmann Telles, Carlos Alberto Sicupira e Eduardo Saverin são as cinco pessoas mais ricas do Brasil. E juntos eles possuem a mesma riqueza que metade da população mais pobre do país.

Essa é a conclusão que um estudo da ONG britânica Oxfam (que atua para reduzir a desigualdade mundial) obteve.

Conforme aponta Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam no país, O aumento da desigualdade é uma tendência global, e o Brasil tem seguido essa tendência.

“A economia segue sendo muito boa para quem já tem muito e péssima para quem tem pouco”, prossegue.

5 = 100 milhões

Os dados do relatório, batizado de “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, aponta que, por aqui, a renda dos cinco mais ricos é igual à quantia que cerca de 100 milhões de pessoas possuem.

Ao final de 2017 o país contava com 43 bilionários. A fortuna desse grupo é de US$ 549 bilhões, o que representa 43,52% da riqueza do Brasil. Por outro lado, a metade mais pobre da população detêm apenas 2% da riqueza nacional. Nesse aspecto, houve uma queda em relação aos 2,7% de 2016.

Para se ter noção do abismo que separa os dois extremos do país, um brasileiro que ganha um salário mínimo precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que recebe em um mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico.

Além disso, foi verificado que, apesar da crise econômica vivida no Brasil, o patrimônio dos bilionários cresceu: 13%.

“Isso mostra que a crise não afeta aqueles que estão no topo do topo”, aponta Katia. “Em compensação, aquelas que estão na base da pirâmide são afetados pelas medidas que estão sendo tomadas para enfrentar a crise.

Perspectivas ruins e mudanças necessárias

Para os próximos anos, o cenário não deve melhorar. Segundo a Oxfam, a recente reforma trabalhista trouxe alguns elementos apontados pelo relatório como causadores da desigualdade. São os casos da terceirização, flexibilização das condições trabalhistas, redução do espaço sindical e redução de direitos dos trabalhadores.

Ainda segundo a Oxfam – que está presente em 94 países – algumas iniciativas precisam ser tomadas para reduzir a desigualdade brasileira. Em primeiro lugar, as companhias precisam rever suas políticas de salário.

“Existem empresas no mundo cujos diretores ganham entre 300 e 400 vezes mais do que salário médio. Nós pensamos que o ideal seria algo em torno de 20”, exemplifica Katia. As empresas pensarem na situação dos trabalhadores não é serviço social. Essa desigualdade extrema é ruim para o sistema produtivo”.

O governo também deve fazer esforços para reduzir a desigualdade. Para a ONG, é preciso promover políticas fiscais e tributárias com essa questão em mente, além de combater a evasão e sonegação.

A Oxfam estima que um imposto global de 1,5% sobre a riqueza dos bilionários poderia cobrir os custos de manter todas as crianças na escola.

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Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

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