Pedidos de aposentadoria crescem e diminuem de acordo com chances de aprovação da reforma

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Quando a reforma da aposentadoria era tratada como praticamente certa, brasileiros correram para solicitar o benefício.

Segundo dados da Previdência Social, o número de pedidos de aposentadoria oscilou ao longo do ano, seguindo conforme as chances de aprovação ou não da reforma da Previdência.

No primeiro trimestre do ano, por exemplo, quando o governo tratava como certa a aprovação do tema no Congresso até o segundo semestre, foi registrado um crescimento na quantidade de solicitações de aposentadoria.

Já em maio, com a divulgação dos escândalos envolvendo o empresário Joesley Batista, da JBS, e o governo Temer, o assunto enfriou. Consequentemente, o número de pedidos passou a cair seguidamente.

Então, as solicitações voltaram a crescer em setembro, quando a reforma ganhou novo fôlego e voltou a figurar nos noticiários.

Os dados também apontam que, com 7,9 milhões de pedidos de aposentadoria entre janeiro e outubro, o ano de 2017 registra um aumento de quase 10% em relação ao mesmo período de 2016. Quando analisado apenas o mês de outubro, o crescimento foi de quase 20% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Urgência

O economista Paulo Tafner, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), acredita que a alta quantidade de solicitações do primeiro semestre comprovam a urgência do brasileiro em garantir o benefício.

A oscilação pode refletir os ânimos da reforma e o comportamento da série aponta uma minicorrida que foi contida pelo episódio da JBS. Talvez em fevereiro, quando o governo fará uma nova tentativa de aprovação, ocorra um novo movimento”, projeta.

Entretanto, conforme aponta o professor da USP, José Roberto Savoia, essa preocupação pode ser exagerada.

“Existe um certo temor por parte da população e muitas vezes isso é exacerbado por informações falsas, porque a reforma não mexe com direitos adquiridos, explica. “Com medo, o contribuinte tenta se prevenir e acaba tomando uma decisão economicamente ruim, porque, dependendo da regra, poderia ficar mais tempo trabalhando e melhorar o valor da aposentadoria”, completa.

Opinião semelhante tem a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger.

“O cidadão teme que a Previdência não tenha dinheiro para pagar as aposentadorias e tenta garantir alguma coisa. Faz parte do subconsciente das pessoas. No momento em que a aprovação da reforma parecia certa, um grande número de pessoas que já podiam se aposentar ficou ansiosa para pedir logo o benefício.”

Em parte, ainda de acordo com ela, a culpa por esse cenário é do próprio governo.

O governo adotou um discurso de catástrofe para convencer a população, mas o efeito foi contrário. Ele errou na mão na propaganda e na reforma. A propaganda não surtiu efeito nem antes e nem depois do caso Joesley”, conclui.

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Sobre o autor

Guilherme Uchoa

Integrante do Núcleo de Comunicação do Grupo Skill. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, e pós-graduado em: Apuração e Produção de Reportagem; Criação e Edição do Texto Jornalístico para Diferentes Mídias; Jornalismo Cultural; Teoria da Comunicação; Comunicação, Redes Sociais e Cibercultura; e Comunicação, Globalização e Cultura da Imagem.

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